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O período pós-parto começa logo após o parto e termina entre 6 a 8 semanas, período em que a maioria das mudanças fisiológicas ocorridas na gestação retorna ao normal.

Retenção de peso após o parto costuma ser definida como a diferença entre o peso antes da gestação e o peso em determinado período após a gestação, usualmente em 6 ou 12 meses, conforme abaixo:



► É estimado que a retenção de peso em 6 meses seja, em média, de 5,5 kg, sendo que 25% das mulheres retêm mais do que 9 kg após uma gestação!

► Diversos fatores influenciam a retenção de peso após a gestação, sendo os mais importantes o IMC pré-gestacional (quanto maior o IMC maior a retenção), um ganho de peso acima das recomendações durante a gestação, mulheres negras e amamentação por menos do que 6 meses (confira os principais fatores na tabela abaixo).

 A maioria das mulheres com sobrepeso (64%) e obesidade (51%) infelizmente acaba ganhando mais peso do que o recomendado durante a gestação.

Também é provável que o ganho excessivo no primeiro trimestre esteja mais intimamente relacionado à maior retenção de peso no pós-parto do que o ganho no segundo e terceiro trimestres.

► A amamentação, por outro lado, por gerar um gasto energético de aproximadamente 625 kcal ao dia, favorece a perda de peso. 

► Em relação a melhor estratégia para redução do peso após o parto, a combinação de uma dieta hipocalórica com perda gradual associada a exercícios regulares parece ser mais efetiva do que dieta ou exercícios isoladamente.

► Importante destacar que o acompanhamento por um profissional de saúde experiente é fundamental pois uma dieta no pós-parto não supervisionada pode causar consequências negativas para a mãe, como a redução da produção de leite materno, perda de massa magra, deficiência de nutrientes, dentre outras.

Concluindo...

Engravidar acima do peso e ganhar peso em excesso durante a gestação são os dois fatores mais fortemente relacionados à retenção do peso no pós-parto.

Além disso, a obesidade materna e o ganho excessivo de peso na gestação são fatores de risco para maior adiposidade no bebê.

Dessa forma, o bebê já nasce maior do que o esperado, com maior percentual de gordura e risco aumentado de tornar-se um criança, um adolescente e um adulto obeso, perpetuando, portanto, o ciclo da obesidade (conforme ilustrado na figura acima).

Intervenções direcionadas a mudanças de comportamento, que abordem esses fatores de risco modificáveis associados tanto à retenção de peso no pós-parto em mulheres quanto à adiposidade em sua prole, podem oferecer uma oportunidade de otimizar simultaneamente a saúde e prevenir o excesso de peso e a obesidade em duas gerações. 

*IMC = índice de massa corporal, definido pelo peso (em kg) dividido pela altura (em metros) ao quadrado



Referências

1. Modifiable risk factors of maternal postpartum weight retention: an analysis of their combined impact and potential opportunities for prevention. Int J Obes (Lond). 2017 July ; 41(7): 1091–1098. doi:10.1038/ijo.2017.78.

2. Overview of the postpartum period: Physiology, complications, and maternal care. UptoDate Jan 02, 2018

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A obesidade é a condição médica mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Além disso, cerca de 50 a 60% das mulheres com excesso de peso ganham acima das recomendações atuais durante a gestação.

Tanto a obesidade antes da gestação quanto o ganho excessivo de peso durante a gestação acarretam implicações adversas para o binômio mãe-bebê.

Evidências robustas na literatura sugerem uma relação linear entre o grau de obesidade com o peso do recém-nascido. Bebês muito grandes (peso acima do percentil 90 para a idade gestacional) ou pesando mais do que 4 kg ao nascimento apresentam maior predisposição à obesidade na infância, adolescência e na vida adulta. Ter um pai obeso aumenta o risco de obesidade no bebê em 2 a 3 vezes a até 15 vezes mais se ambos os pais forem obesos. A obesidade materna pode alterar a epigenética intraútero do bebê, de forma a induzir mudanças permanentes nas rotas metabólicas fetais e portanto aumentando o risco de obesidade e as comorbidades associadas (hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doença cardiovascular) na infância e na vida adulta.

Além disso, gestantes obesas apresentam elevado risco de terem bebês com anormalidades congênitas, incluindo má formação cardíaca, defeitos orofaciais, redução de membros, dentre outros. Os estudos sugerem que o risco de defeitos congênitos seja proporcional ao grau de obesidade materna.

Outra preocupação importante refere-se ao risco elevado de asfixia periparto, sofrimento e morte fetal. De acordo com uma revisão que avaliou o risco de desfechos fetais em gestantes obesas, existe um aumento no risco de sofrimento fetal e morte entre 16 a 20% conforme o grau de obesidade. Mesmo após reanálises destes resultados excluindo-se os potenciais fatores confundidores, como mães com diabetes e hipertensão, persiste o maior risco destas complicações em gestantes obesas. Novamente aqui, é provável que o risco seja proporcional ao grau da obesidade.

Por fim, a obesidade aumenta o risco de parto prematuro, sobretudo devido às complicações da obesidade durante a gestação, tais como pré-eclâmpsia e diabetes.

Confira abaixo as principais repercussões fetais da obesidade durante a gestação:

Mortalidade intra-uterina e perinatal elevada
Maior risco de parto prematuro (parto com menos do que 37 semanas)
Anomalias congênitas
Recém-nascido grande para a idade gestacional (acima do percentil 90)
Recém-nascido macrossômico (peso ao nascimento maior ou igual a 4 kg)

Fontes:

Obesity and pregnancy: mechanisms of short term and long term adverse consequences for mother and child. BMJ 2017 Feb 8;356
Maternal overweight and obesity and the risk of congenital anomalies: a systematic review and meta-analysis. JAMA 2009; 301: 636
Maternal body mass index and the risk of fetal death, stillbirth, and infant death: a systematic review and meta-analysis. JAMA 2014; 311:1536.

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