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Sábado, 15 Junho 2019 18:40

O que é uma perda de peso razoável?

É comum os pacientes procurarem ajuda profissional com expectativas muito elevadas para perda de peso e por vezes irrealistas. Conforme alguns estudos, os pacientes esperam perder entre 20 a 30% do seu peso com o tratamento, um valor bastante diferente do preconizado pelas sociedades médicas para obtenção de benefícios na saúde, que é de 5 a 10% do peso inicial.

 

Em contraste a esta expectativa, mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercício, levam a uma perda entre 3 a 8% do peso inicial e um percentual pequeno destes mantém a perda no longo prazo. A adição de medicamentos aumenta a chance de perda para 10 a 15%, o que é considerada uma excelente resposta.

 

A discrepância entre as expectativas do paciente e os resultados obtidos podem levar à frustração e ao abandono do tratamento, especialmente entre mulheres, em que a pressão midiática é bastante influente.

 

Por isso, é necessário avaliar as expectativas e os objetivos do paciente em relação ao tratamento e o que é factível de ser atingido para maior chance de manutenção dos resultados no longo prazo.

 

Da mesma forma, é importante ressaltar ao paciente que perdas modestas mantidas no longo prazo são suficientes para melhorar a saúde e prevenir ou amenizar muitas complicações relacionadas ao excesso de peso e são efetivas na redução dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares. De fato, perdas superiores são às vezes necessárias conforme as comorbidades apresentadas individualmente por cada paciente. 

 

Uma perda entre 5 a 10% do peso inicial já é suficiente para redução de fatores de risco associados ao surgimento do diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Perdas maiores, entre 10 a 15%, são necessárias para melhora de doenças como apneia do sono e esteatohepatite (inflamação do fígado pelo excesso de peso).

 

Por fim, a conscientização de que a manutenção do novo peso depende do equilíbrio entre as mudanças de comportamento adotadas durante a fase de perda de peso e dos limites genéticos de cada um é fundamental, tendo sempre como foco a melhora dos parâmetros de saúde. 

 

Referência

Obesity in adults: Overview of management. UpToDate, May, 2019.

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Para maior chance de obtenção de resultados positivos durante o processo de emagrecimento e de manutenção de um menor peso no longo prazo, mudanças comportamentais são imprescindíveis.

Nesse sentido, a terapia cognitivo-comportamental direcionada para a modificação dos padrões individuais de comportamento aumenta a probabilidade de êxito do tratamento.

Confira abaixo 5 dicas de mudanças no comportamento que ajudarão no controle do peso:

1. Aumento da atenção durante a refeição

Estima-se que aproximadamente 30% dos pacientes acima do peso subestimam o que comem, provavelmente por não prestarem atenção no que estão ingerindo.

Por isso, é importante reduzir os estímulos que geram distração, como assistir TV, ler jornal ou acessar mídias sociais, durante uma refeição.

2. Controle dos estímulos

O estímulo visual desempenha um papel importante na ativação da vontade de comer.

Portanto, evite passar por locais no mercado sabidamente repleto de alimentos pouco saudáveis.

Além disso, planejar-se é essencial durante o processo de emagrecimento. Então, faça uma lista de compras e evite fazer compras antes das refeições, pois a fome aumenta nossa probabilidade de fazer escolhas menos saudáveis.

3. Evite pensamentos dicotômicos

Muitos pacientes acreditam que o sucesso do tratamento resume-se à redução absoluta do peso. Por isso, encaram o tratamento como “tudo ou nada”, ou seja, ou sigo a dieta 100% ou, já que escapei um dia, tudo está perdido e portanto, como falhei uma vez, melhor abandonar.

Quem me conhece sabe o quanto ressalto que o peso é uma consequência de um conjunto de mudanças instituídas (dietéticas, comportamentais e de estilo de vida) que vão invariavelmente levar a uma redução do peso.

O foco do emagrecimento tem que ser a mudança de hábitos e não a balança em si, embora esta seja uma ferramenta auxiliar do processo como um todo.

O processo de mudança comportamental consiste em um continnum de autocontrole, existindo categorias intermediárias que precisam ser consideradas e mantidas.

4. Evite pensamentos disfuncionais, como a desqualificação do positivo

Trata-se de uma distorção cognitiva em que o paciente enxerga apenas os aspectos negativos do seu comportamento. Exemplo: O paciente conseguiu manter o plano alimentar saudável na maioria dos dias da semana mas sente-se frustrado por não ter conseguido segui-lo por toda a semana.

Essa tendência em não valorizar melhoras graduais contribui para o desenvolvimento da baixa autoestima, uma vez que o paciente considera suas conquistas sempre insuficientes.

Esse comportamento pode contribuir para o abandono do tratamento pois o paciente não consegue perceber a evolução do seu quadro.

Portanto, valorize as pequenas conquistas diárias e procure ver o tratamento como um processo contínuo de aquisição de habilidades para o autocontrole.

5. Elabore metas factíveis que causem melhora significativa da saúde em geral

Muitos pacientes, sobretudo mulheres e pacientes jovens, desejam alcançar um peso muito abaixo do que precisariam, na maioria das vezes, por questões estéticas.

O desejo por metas difíceis de serem atingidas aumenta o sentimento de ansiedade e o risco de frustrações.

Dessa forma, é importante estabelecer com o médico e/ou nutricionista metas realistas que tenham impacto sobre a saúde em geral, como uma perda de pelo menos 10% do peso inicial.

Uma vez atingida esta meta inicial, pode-se então prosseguir com metas mais estreitas de acordo com a vontade do paciente.



Referência:

1. Importância de medidas cognitivo-comportamentais no tratamento da obesidade. Tratamento não farmacológico da obesidade e de suas comorbidades. Tratado de Obesidade 2ª edição, 2018.

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