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Artigos

Quinta, 11 Outubro 2018 14:57

A teoria do set-point no controle do peso

O peso corporal é mantido em um nível relativamente estável através do equilíbrio dinâmico entre a ingestão e o gasto calórico.Em relação à ingestão alimentar, comemos conforme as necessidades metabólicas do organismo (comer homeostático) e por questões emocionais, comportamentais e cognitivas (comer hedônico ou emocional). O comer hedônico refere-se às influências de fatores cognitivos e emocionais relacionados à recompensa com a comida. Nesse sentido, de acordo com o ambiente, o comer hedônico pode exceder o comer homeostático, levando o indivíduo a comer além do estritamente necessário.A teoria do set-point foi desenvolvida para tentar explicar as mudanças no peso em indivíduos submetidos à mesma ingestão calórica. De acordo com esta teoria, o indivíduo possui mecanismos de adaptação na eficiência energética dos processos metabólicos, tornando-os mais ou menos dispendiosos, conforme necessário, para manter os depósitos de gordura e o peso corporal.Como exemplo, em um ambiente onde há livre acesso a alimentos palatáveis e densamente energéticos, como os alimentos ultraprocessados, o consumo além das necessidades metabólicas ativará os mecanismos que aumentam o gasto calórico do indivíduo (ajuste do set-point) de forma a manter o seu peso corporal relativamente estável.Já indivíduos que apresentam falha na ativação em algum destes mecanismos compensatórios ganharão peso mediante a mesma ingestão calórica, estabelecendo assim um novo set-point maior.Dada a importância do armazenamento de energia para sobrevivência e capacidade reprodutiva para nossos antecessores há milhões de anos em que…
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Terça, 11 Setembro 2018 14:56

O peso da balança

Acompanho muitos pacientes que desejam emagrecer, mudar de vida em busca de saúde e leveza. Alguns motivados pela saúde, outros pela pressão da estética ou até mesmo por algum evento importante em suas vidas, tais como: casamento, formatura, etc. Mas o que chama a atenção são os fatores motivacionais que impulsionam a tomada de decisão, o que desacomoda e mobiliza o desejo de sair deste lugar, de onde se está.Independentemente do motivo, compreendo que este caminho começa pela balança. Antes mesmo de tomar a decisão de iniciar o tratamento, seja ele qual for e, não pretendo abordar aqui a eficácia de nenhum método de emagrecimento, o paciente se depara com a balança. É comum, inclusive, ouvirmos frases do tipo, “brigo com a balança deste sempre”, “tenho uma batalha travada com a balança”, “tenho medo de me pesar”. Essas e outras afirmações me fazem acompanhar o sofrimento que é essa relação entre o peso e a balança.No início do tratamento, a balança serve como norteador para direcionar a conduta médica e nutricional mais apropriada, de acordo com as necessidades de cada um. Serve também para orientação daqueles que nem sabem o excesso de peso que têm. Que há anos já não se pesam, pois no fundo sabem ou imaginam sua condição, mas tudo tem seu tempo de ser encarado. Muitos são os pacientes que recebo e que não fazem ideia do…
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A auto-imagem corporal corresponde à percepção do indivíduo quanto ao tamanho e às suas formas corporais associada aos sentimentos de que essa representação possa ocasionar. De forma sucinta, representa a relação entre o corpo e os processos cognitivos como crenças, valores e atitudes individuais, que podem ser influenciados pela mídia, pais e amigos.A correta percepção da imagem corporal na adolescência é um tema de suma importância tendo em vista que esta é uma fase de transição, com mudanças corporais constantes, em que os adolescentes se tornam mais vulneráveis às influências externas.A distorção da auto-imagem nesta fase da vida está associada a um maior risco de distúrbios de humor, como depressão e ansiedade, e transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.Conforme alguns estudos, as taxas de insatisfação com a imagem corporal nessa faixa etária alcançam cifras tão altas quanto 70%, sobretudo entre meninas e indivíduos acima do peso. Meninas adolescentes insatisfeitas com seu peso apresentam um risco 4 vezes maior de transtornos alimentares, de acordo com um trabalho americano.O estudo sobre a auto-imagem corporal publicado recentemente, no qual sou uma das autoras, teve como objetivo avaliar o grau de concordância entre o estado nutricional e a auto-imagem entre adolescentes brasileiros. Foram incluídos jovens entre 12 e 17 anos de idade participando do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (“ERICA”), um estudo nacional que coletou dados de várias cidades brasileiras totalizando…
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Mais um estudo publicado recentemente, dessa vez pelo grupo de pesquisadores norueguês, sobre os efeitos do jejum intermitente na perda e manutenção do peso e melhora dos parâmetros metabólicos.Diferentemente do estudo americano publicado em 2017, este estudo avaliou a perda de peso e os desfechos metabólicos em pacientes de alto risco cardiovascular, além da percepção de fome nos indivíduos submetidos ao jejum intermitente.O termo “Jejum intermitente” é usado para definir uma série de padrões de alimentação em que pouca ou nenhuma caloria é consumida por períodos de tempo variáveis. Atualmente existem diversos protocolos para a realização de jejum intermitente, sendo um dos mais estudados o protocolo 2:5, ou seja, 2 dias de consumo equivalente a 25% das necessidades energéticas intercalados com 5 dias de alimentação sem restrições.Neste estudo, foram incluídos 112 participantes com obesidade abdominal, definida por uma circunferência da cintura maior ou igual a 94 cm para homens e 80 cm para mulheres, e mais um dos seguintes componentes (níveis de triglicerídeos ≥150 mg/dL, HDL baixo – menor do que 40 mg/dL para homens e 50 mg/dL para mulheres, pressão arterial sistólica ≥130 mmHg e/ou diastólica ≥85 mmHg e glicemia de jejum ≥100 mg/dL). Não foram incluídos indivíduos com diabetes em uso de insulina ou análogos do GLP1, como a liraglutida, nem pacientes com transtornos alimentares e psiquiátricos em geral.Estes pacientes foram divididos em 2 grupos: grupo do jejum…
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Problemas com o álcool podem ocorrer entre 10 a 20% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.Alguns estudos sugerem que a cirurgia bariátrica possa aumentar o risco de transtornos com o álcool (uso abusivo e dependência) por alterar o metabolismo do álcool após o procedimento. De fato, muitos pacientes referem maior sensibilidade ou menor tolerância aos efeitos do álcool após a cirurgia. Isso porque a cirurgia bariátrica, em especial o bypass gástrico ou cirurgia de desvio do trânsito intestinal, aumenta a absorção do etanol após a sua ingestão, elevando rapidamente a sua concentração na corrente sanguínea. Dessa forma, os pacientes manifestam mais facilmente os sinais de embriaguez durante e logo após o consumo.O risco de transtornos com o álcool é maior especialmente entre indivíduos mais jovens com histórico de problemas com o álcool ou outras drogas de abuso antes da cirurgia. Além disso, a presença de problemas psiquiátricos, especialmente depressão, transtorno de ansiedade e de compulsão alimentar e uma história familiar de dependência são fatores de risco adicionais.Conforme um estudo realizado em mulheres submetidas ao bypass gástrico, o pico de concentração do álcool na corrente sanguínea foi aproximadamente 2 vezes maior assim como os sinais de embriaguez em relação ao grupo de mulheres controles (sem terem sido submetidas à cirurgia). Neste mesmo experimento, o pico de concentração de álcool após a ingestão de 2 drinks excedeu o limite considerado pelo Instituto…
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