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Artigos

Desde meados da década de 90, tem-se postulado que o diabetes tipo 2, doença até então considerada crônica e de curso progressivo, poderia ser revertida após a cirurgia bariátrica, hipótese levantada pelo cirurgião americano, Dr. Walter Pories, em seu artigo intitulado: “Who would have though it? An operation proves to be the most effective therapy for adult-onset diabetes mellitus” que mostrou melhora glicêmica significativa ou remissão da doença em 83% dos pacientes submetidos ao procedimento. Define-se remissão do diabetes como a obtenção de níveis glicêmicos que não preenchem critérios para diabetes, na ausência de terapia farmacológica e com duração superior a 1 ano. Ainda, a remissão pode ser parcial, quando os níveis de hemoglobina glicada* (A1c) são inferiores a 6,5% e a glicemia de jejum entre 100 a 125 mg/dl e completa quando ocorre restauração à normoglicemia (A1c inferior a 5,7% e glicemia de jejum abaixo de 100 mg/dl). Conforme metanálise publicada em 2009, com inclusão de 621 estudos e aproximadamente 5000 pacientes com diabetes tipo 2, 80% dos pacientes obtiveram remissão completa da doença após a realização do bypass gástrico, tipo de cirurgia bariátrica mais comumente realizado. Mais recentemente, no trial Diabetes Remission Clinical Trial (DiRECT), estudo desenvolvido para avaliar o efeito da perda de peso sobre as taxas de remissão do diabetes em indivíduos com menos de 6 anos de doença, dos 149 pacientes que receberam uma dieta…
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Sábado, 15 Junho 2019 18:40

O que é uma perda de peso razoável?

É comum os pacientes procurarem ajuda profissional com expectativas muito elevadas para perda de peso e por vezes irrealistas. Conforme alguns estudos, os pacientes esperam perder entre 20 a 30% do seu peso com o tratamento, um valor bastante diferente do preconizado pelas sociedades médicas para obtenção de benefícios na saúde, que é de 5 a 10% do peso inicial. Em contraste a esta expectativa, mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercício, levam a uma perda entre 3 a 8% do peso inicial e um percentual pequeno destes mantém a perda no longo prazo. A adição de medicamentos aumenta a chance de perda para 10 a 15%, o que é considerada uma excelente resposta. A discrepância entre as expectativas do paciente e os resultados obtidos podem levar à frustração e ao abandono do tratamento, especialmente entre mulheres, em que a pressão midiática é bastante influente. Por isso, é necessário avaliar as expectativas e os objetivos do paciente em relação ao tratamento e o que é factível de ser atingido para maior chance de manutenção dos resultados no longo prazo. Da mesma forma, é importante ressaltar ao paciente que perdas modestas mantidas no longo prazo são suficientes para melhorar a saúde e prevenir ou amenizar muitas complicações relacionadas ao excesso de peso e são efetivas na redução dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças…
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Ao contrário do que muita gente imagina, comer esporadicamente uma quantidade maior de determinado alimento porque está gostoso não representa um episódio compulsivo. O transtorno de compulsão alimentar (TCA) é caracterizado pela ingestão de uma quantidade de comida muito maior do que a maioria das pessoas conseguiria consumir em um período limitado de tempo (1 a 2 horas), acompanhado da sensação de perda de controle, com padrão recorrente (pelo menos uma vez por semana por pelo menos 3 meses), na ausência de comportamentos compensatórios (indução de vômitos ou jejum prolongado), seguido por sentimentos que variam entre culpa, arrependimento e raiva pelo ocorrido. Trata-se de um distúrbio psiquiátrico que acomete cerca de 2% da população adulta chegando a 30% entre pacientes com obesidade! A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, permanece como o tratamento de referência para este tipo de transtorno. Em relação ao tratamento farmacológico, a única droga aprovada pela ANVISA até o momento é o dimesilato de lisdexanfetamina (Venvanse®), agente psicoestimulante do sistema nervoso central (SNC) aprovado apenas para casos de TCA moderado a grave, isto é, indivíduos que apresentam 4 ou mais episódios de compulsão por semana. Esta medicação não é aprovada para tratamento da obesidade sem TCA! Esta medicação atua nos centros de recompensa do SNC, reduzindo a frequência e a intensidade dos episódios de compulsão. Apresenta menor potencial de abuso e uso recreacional pela demora para o…
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Terça, 21 Maio 2019 10:48

Preferências alimentares

Nascemos com uma predisposição genética a determinados sabores, sobretudo o doce, o que pode ser um fator de risco para o consumo excessivo e desenvolvimento de obesidade em ambientes de fácil acesso a alimentos densamente calóricos e altamente palatáveis, como guloseimas, doces e ultraprocessados em geral. Esta preferência naturalmente herdada por alimentos de sabor doce pode ser interpretada como uma adaptação do organismo a períodos de maior escassez de alimentos ocorrida há milhões de anos para sobrevivência da espécie. Entretanto, nos dias atuais, esse mecanismo adaptativo pode contribuir para uma alimentação pouco saudável e ganho de peso. Felizmente, diversos estudos têm mostrado que o desenvolvimento do nosso paladar é maleável, ou seja, nosso cérebro é capaz de se remodelar de acordo com as experiências vivenciadas, o que possibilita uma constante adaptação e aprendizagem ao longo da vida. Quanto mais precoce for a introdução a alimentos saudáveis, maior a aceitabilidade da criança durante a infância e adolescência, podendo-se também modificar as preferências alimentares de acordo com a exposição repetida a determinados alimentos sob diversas preparações e sob diversos contextos. Em adultos as evidências sobre este tema são menores, mas alguns trabalhos mostram mudanças na plasticidade com maior aceitação de novos alimentos após modificações importantes na rotina alimentar. Portanto, apesar de as nossas preferências geneticamente herdadas por doces e a nossa maior rejeição inicial a sabores azedo (presente em frutas cítricas por…
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O desenvolvimento de estratégias e habilidades comportamentais em relação ao controle do peso aumentam a chance de sucesso no longo prazo. Uma destas estratégias é o reforço constante dos resultados obtidos com o tratamento pois os pacientes tendem a se concentrar no que não conseguiram, em vez daquilo que já foi obtido. Nesse sentido, ao contrário da fase de perda de peso, durante a qual a recompensa externa é mais óbvia e imediata, a fase de manutenção tem menos dessas recompensas explícitas e a motivação para manter os resultados obtidos acaba sendo um desafio. Por isso, é importante registrar e retomar todas as mudanças positivas ocorridas desde o início do tratamento. Alguns aspectos incluem melhora do condicionamento físico, da mobilidade, das dores articulares, nível de energia, da auto-estima e do bem-estar geral, além da melhora em relação às medidas clínicas objetivas de saúde como a queda da pressão arterial, redução da glicemia e dos níveis de colesterol. Além disso, fotografias mostrando as mudanças corporais durante todas as fases do processo de emagrecimento auxiliam na motivação e manutenção dos novos hábitos. Referência Med Clin North Am. 2018 January; 102(1): 183–197
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