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 Um dos principais efeitos do emagrecimento é a redução do metabolismo basal


Um dos principais efeitos da perda de peso, seja ela induzida por dieta, exercício ou cirurgia, é a redução do metabolismo basal ou taxa metabólica de repouso que representa a quantidade mínima de energia necessária para manutenção das atividades vitais do organismo em repouso.

O metabolismo basal corresponde a aproximadamente 2/3 do gasto calórico diário de um indivíduo e pode variar conforme a idade, existindo uma redução aproximada de 1% a cada década de vida, o sexo, sendo maior em homens do que em mulheres, e principalmente conforme a quantidade de massa muscular de um indivíduo.

Os demais componentes do nosso gasto calórico diário referem-se à energia gasta para a digestão dos alimentos, também conhecida como termogênese relacionada à dieta, e ao gasto calórico relacionado ao exercício, conforme didaticamente ilustrado na figura abaixo, com os percentuais correspondentes de cada componente.



Um estudo interessante demonstrou que a manutenção de um peso 10% abaixo do peso inicial resultou em uma redução de 8 kcal para cada kg perdido no metabolismo basal. Isto significa que um indivíduo que pesava inicialmente 100 kg e conseguiu reduzir o seu peso para 90 kg (redução de 10% do peso inicial) apresenta uma redução aproximada de 80 kcal no seu metabolismo basal.

Este declínio no metabolismo descrito em indivíduos submetidos a tratamentos para perda de peso favorece a recuperação do peso, sobretudo porque permanece suprimido no longo prazo, mesmo após o término da intervenção para perda de peso.

E porque este declínio ocorre? Bom, quando começamos a reduzir o peso, uma série de adaptações hormonais e metabólicas são ativadas numa tentativa de "proteger" o organismo de um estado de privação importante de comida. Mudanças na composição corporal, levando a perdas significativas da massa muscular, bem como reduções importantes dos níveis de leptina, hormônio produzido pelo tecido adiposo, responsável também por modular o gasto energético contribuem para esta queda. Dessa forma, a redução do metabolismo de repouso dificulta o emagrecimento à medida em que continuamos perdendo peso.

Outro estudo bastante interessante mostrou o impacto das diferentes intervenções para perda de peso (dieta x exercício x terapia farmacológica ou cirurgia) sobre o metabolismo de repouso.

Os resultados mostraram uma redução do metabolismo de aproximadamente 15 kcal para cada kg perdido, sem diferença entre homens e mulheres, quando todas as intervenções foram analisadas conjuntamente.

Conforme mostrado na figura a seguir, quando as intervenções foram avaliadas separadamente, a dieta resultou em maior queda do metabolismo basal, de 18 kcal para cada kg de peso perdido, quando comparada a todas as demais.



A combinação da restrição calórica associada a exercícios regulares resultou em menores reduções no metabolismo basal quando comparada à dieta isoladamente. Uma das explicações para esta diferença é a maior preservação da massa muscular induzida pelo exercício durante restrições calóricas impostas pela dieta.

Em síntese, embora o exercício isoladamente não seja uma estratégia eficaz para perda de peso, a combinação do exercício durante a perda de peso induzida pela dieta minimizará a redução do metabolismo basal, componente importante do gasto calórico total! O entendimento dessas alterações adaptativas desencadeadas pelo emagrecimento bem como o acompanhamento regular com uma equipe multidisciplinar, incluindo médico endocrinologista, nutricionista e educador físico, ajudará na obtenção de melhores resultados durante e após intervenções para a perda de peso!



Referências:

1. Relative changes in resting energy expenditure during weight loss: a systematic review. Obesity Reviews (2010) 11, 531–547.

2. Changes in energy expenditure resulting from altered body weight. N Engl J Med 1995; 332: 621–628.

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Pergunta recorrente no consultório refere-se ao receio de usar medicações para tratamento do excesso de peso pelo risco de efeito rebote após suspensão da(s) mesma(s).

Mas será que este medo é real?

Bom, o entendimento de que a obesidade é uma doença crônica com tendência à recidiva ao longo do tempo é fundamental. Nesse sentido, o tratamento é baseado em mudanças no estilo de vida associadas ou não à terapia farmacológica.

As modificações no estilo de vida propostas para o tratamento da obesidade são fundamentais. Entretanto, as taxas de sucesso no longo prazo apenas com estas medidas costumam ser baixas. Isto porque uma série de adaptações ocorrem no organismo quando reduzimos a ingestão alimentar com o objetivo de perda de peso. Por exemplo, existe um aumento da fome e também do apetite após qualquer redução de peso. Além disso, o metabolismo basal, responsável pelas necessidades energéticas para o funcionamento do organismo em repouso, assim como o gasto calórico com a realização de exercícios físicos é menor quando emagrecemos! Todas estas adaptações fisiológicas tendem a persistir ao longo do tempo favorecendo a recuperação do peso após a perda inicial.

As medicações prescritas para o tratamento da obesidade, em geral, auxiliam no controle sobre a ingestão alimentar aumentando a saciedade e/ou reduzindo o apetite. Considerando que estas medicações não atuam de forma irreversível no organismo, a suspensão das mesmas favorece, ao longo do tempo, o aumento da ingestão alimentar com recidiva do peso perdido. Por isso, o uso de fármacos para tratamento da obesidade costuma ser mantido no longo prazo, sob supervisão periódica do médico especialista.

Atualmente, os medicamentos antiobesidade podem ser úteis para pacientes com IMC* (índice de massa corporal) maior ou igual a 30 kg/m² ou acima de 27 kg/m² com alguma comorbidade que não conseguiram atingir as metas de perda e manutenção do novo peso apenas com reeducação alimentar e exercícios regulares.

Ainda, é necessário avaliar os potenciais benefícios com o tratamento instituído contrabalançando com os riscos associados à terapia farmacológica bem como os riscos relacionados ao excesso de peso.

Estudos mostram que uma perda entre 5 a 10% do peso, independentemente de como foi alcançada, está associada à melhora do perfil de risco cardiovascular bem como menor incidência de diabetes tipo 2.

Em síntese, por se tratar de uma doença crônica e com tendência à recidiva, a instituição da terapia farmacológica aumenta a chance de sucesso do tratamento no longo prazo em indivíduos com pobre resposta às mudanças no estilo de vida.



*IMC = peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros)



Referências

1. Long-term persistence of adaptive thermogenesis in subjects who have maintained a reduced body weight. Am J Clin Nutr. 2008;88(4):906.

2. Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss. N Engl J Med. 2011 Oct;365(17):1597-604.

3. The Science of Obesity Management: An Endocrine Society Scientific Statement. Endocrine Reviews 39: 1 – 54, 2018

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O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente de câncer no mundo e o mais comum entre as mulheres, representando a maior causa de morte por câncer nos países em desenvolvimento, tais como o Brasil. No Brasil, o câncer de mama responde por cerca de 25% dos novos casos de câncer a cada ano, sendo o tipo mais frequente nas mulheres da Região Sul do país.

Além dos fatores de risco clássicos, como envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, tais como idade da primeira menstruação menor do que 12 anos, menopausa após os 55 anos, mulheres que não tiveram filhos ou primeira gestação após os 30 anos, história familiar de câncer de mama, fatores relacionados ao estilo de vida, tais como consumo excessivo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada são considerados agentes potenciais para o desenvolvimento desse câncer, conforme sumarizado na tabela abaixo:

Da mesma forma, o ganho de peso durante o climatério (período de transição para a menopausa) e após a menopausa são considerados fatores de risco para o surgimento do câncer de mama.

Uma série de estudos sobre o risco de câncer de mama e o índice de massa corporal (IMC) mostrou que, para cada aumento em 5 kg/m² no IMC, um indicador de excesso de gordura geral, ocorreu um aumento de 12% no risco de câncer de mama em mulheres após a menopausa.

Conforme estudos prévios, mulheres que ganharam 10 kg ou mais após a menopausa tiveram um risco 1,18 vezes maior de câncer de mama quando comparadas àquelas que mantiveram seu peso normal.

O mecanismo proposto para o aumento do risco nestas mulheres parece ser a inflamação crônica sistêmica, alterações hormonais e metabólicas, além do excesso de estrogênios endógenos oriundos do excesso de tecido adiposo.

Em relação ao aumento da circunferência da cintura e o risco de câncer de mama, uma revisão incluindo 15 estudos avaliou o risco de câncer tanto em mulheres na pré- como aquelas após a menopausa, levando em consideração também o IMC atual.

Os resultados mostram um aumento de 5% no risco de câncer de mama para cada aumento de 10 cm na circunferência da cintura para mulheres em idade reprodutiva e um aumento de 9% para aquelas na menopausa.

É provável que a circunferência abdominal seja um melhor preditor de risco de câncer de mama do que o IMC em si, tendo em vista ser a gordura visceral (ou abdominal) a principal fonte de marcadores inflamatórios e distúrbios hormonais responsáveis pelo surgimento do câncer.

Por outro lado, a prática regular de exercícios físicos combinada a uma alimentação saudável, com a manutenção do peso corporal, parece reduzir em aproximadamente 30% o risco de desenvolver câncer de mama assim como parece melhorar a sobrevida de mulheres em tratamento contra o câncer de mama!



Referências:

1. Inca 2018: http://www1.inca.gov.br/estimativa/2018/

2. Adult weight change and risk of postmenopausal breast cancer. JAMA. 2006;296(2):193.

3. American Cancer Society: https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/risk-and-prevention/breast-cancer-risk-factors-you-cannot-change.html

4. Central obesity and risks of pre- and postmenopausal breast cancer: a dose–response meta-analysis of prospective studies. Obes Rev. 2016 Nov;17(11):1167-1177

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Diversas medidas antropométricas, como a circunferência da cintura, o índice de massa corporal (IMC) e a relação da cintura-quadril, têm sido testadas com o objetivo de estimar a gordura total e, com isso, avaliar o risco de doenças, sobretudo doença cardiovascular e diabetes.

O mais amplamente utilizado na prática clínica é o IMC, que leva em consideração o peso (kg) pela altura (m) ao quadrado, por ser simples e fácil de calcular. O IMC em geral apresenta uma boa correlação com o risco de outras doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, fígado gorduroso, apneia do sono, doença cardiovascular, dentre outras.

O IMC, entretanto, tende a ser menos preciso em determinados grupos de pacientes, como em idosos, em que a perda de massa muscular relacionada à idade (sarcopenia) pode levar à subestimação do percentual de gordura, e em indivíduos musculosos que normalmente apresentam um IMC mais elevado, mas às custas de massa magra.

Uma outra limitação do IMC é não refletir a distribuição da gordura corporal. Para indivíduos com excesso de peso, a localização do excesso de gordura é importante na estimativa de risco deste indivíduo.

É sabido que o risco de doenças como infarto do miocárdio, hipertensão arterial, doença hepática gordurosa e diabetes, está intimamente relacionado à quantidade de gordura abdominal (visceral ou central), independentemente da gordura corporal total. Dessa forma, indivíduos com o mesmo IMC podem apresentar percentuais diferentes de gordura visceral com consequente risco cardiometabólico distinto.

Por isso, a adição da medida da circunferência da cintura, que é a medida do maior perímetro abdominal entre a última costela e a crista ilíaca, fornece informações adicionais preditivas de saúde. Entretanto, o risco pode ficar super ou subestimado para indivíduos com a mesma cintura, mas que diferem em altura.

Diante desta constatação, diversos estudos têm avaliado a relação entre a circunferência da cintura pela altura (razão cintura-altura), como uma ferramenta que leva em consideração a diferença de altura entre os indivíduos.

Uma revisão, incluindo 78 estudos, comparou a razão cintura-altura com a circunferência da cintura e o IMC como preditores de doença cardiovascular (infarto, AVC, hipertensão e mortalidade geral) e diabetes. Os resultados mostraram que a razão cintura-altura aumentada, ou seja, maior ou igual a 0,5, foi superior à medida da circunferência da cintura e do IMC para detecção dos desfechos acima descritos, tanto em homens quanto em mulheres.

Ainda, um estudo publicado recentemente mostrou que a razão cintura–altura aumentada foi associada a um risco 3 vezes maior de hipertensão arterial em mulheres.

Portanto, a medida da relação cintura-altura é uma ferramenta de fácil aplicação na prática clínica, que não varia conforme o sexo, idade ou etnia, correlacionando-se bem com a quantidade de gordura abdominal e consequentemente com os riscos associados à maior adiposidade visceral.



Referências:

1.Ratio of waist circumference to height may be better indicator of need for weight management. BMJ 1996; 312, 377.

2. Waist-to-height ratio is a better screening tool than waist circumference and BMI for adult cardiometabolic risk factors: systematic review and meta-analysis. Obesity Reviews (2012) 13, 275–286

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Tanto quanto a epidemia de obesidade, tem crescido o número de indivíduos com privação crônica de sono. De acordo com os resultados de uma pesquisa nacional, cerca de 60% dos brasileiros dormem entre 4 a 6 horas e 75% reconhecem que estão privados de sono. Apesar de variações na definição, considera-se como adequado, para adultos, entre 6 a 9 horas diárias de sono.

Inúmeros estudos observacionais têm descrito uma relação entre ganho de peso com menor duração do sono e também com um sono de qualidade ruim.

O indivíduo que dorme pouco apresenta aumento da fome e da vontade por alimentos densamente calóricos, como aqueles ricos em açúcar e gordura, em decorrência da redução dos níveis de leptina e aumento dos níveis de grelina. Além das alterações hormonais, alguns estudos têm sugerido que a privação do sono estimula o centro de recompensa no córtex frontal, fazendo com que o indivíduo sinta mais prazer quando em contato com determinado alimento e, consequentemente, menor controle sobre a ingestão alimentar.

Além disso, permancer mais tempo acordado facilita a busca pelo alimento, o que também contribui para o aumento da ingestão calórica.

Ainda, dormir pouco bem como ter um sono fragmentado aumenta a sensação de cansaço e indisposição, reduzindo a probabilidade de o indivíduo engajar-se em atividades que aumentem o gasto calórico, como o exercício físico programado e as atividades de lazer.

As alterações hormonais identificadas em indivíduos com privação crônica do sono podem comprometer o metabolismo basal ou de repouso, um dos principais componentes do gasto energético total, relacionado à quantidade de energia necessária para o funcionamento do organismo em repouso.

A figura abaixo resume os principais mecanismos relacionados ao aumento de peso em indivíduos com privação de sono:



Por fim, a privação crônica de sono leva à redução da produção de melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal e que é necessário para a síntese e ação da insulina. Dessa forma, a redução da secreção de melatonina está associada a alterações metabólicas que predispõem a um maior risco de diabetes e ganho de peso.



Referências:

1. The role of sleep duration in the regulation of energy balance: effects on energy intakes and expenditure. J Clin Sleep Med. 2013 Jan 15;9(1):73-80

2. Acute sleep deprivation enhances the brain's response to hedonic food stimuli: an fMRI study. J Clin Endocrinol Metab. 2012;97:E443–7

3. Short sleep duration and weight gain: a systematic review. Obesity (Silver Spring). 2008 March ; 16(3): 643–653

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Sabemos que a obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura em decorrência de um desequilíbrio entre o consumo e o gasto calórico em indivíduos geneticamente predispostos. Nesse sentido, o tratamento tem por objetivo favorecer um balanço energético negativo por meio de uma restrição na ingestão calórica associada a um aumento do gasto energético. Acontece que a restrição alimentar aumenta a sensação de fome, podendo comprometer os resultados de perda de peso no longo prazo.

Por isso, estratégias que possam auxiliar no controle da fome, saciação e saciedade através da modulação da densidade energética e do volume dos alimentos, têm sido estudadas.

Primeiramente, a densidade energética corresponde à quantidade de energia contida em determinado alimento, expressa como calorias por grama (kcal/g). Por exemplo, a gordura aumenta mais a densidade energética de um alimento (9 kcal por grama) do que o carboidrato e a proteína (4 kcal/grama). Já a água e as fibras reduzem a densidade energética mas aumentam o volume total do alimento.

Além disso, quando falamos em regulação do apetite, dois conceitos são importantes: saciação e saciedade.

Saciação refere-se ao tempo entre o comer e o sentir-se satisfeito. A saciação ocorre em decorrência do enchimento e distensão das paredes do estômago após ingerir determinado alimento ou uma refeição. Já a saciedade é definida como o intervalo entre acabar de comer e voltar a sentir fome, como ilustrado na figura abaixo.



Indivíduos que consomem grandes quantidades de alimentos em poucas refeições por dia podem se beneficiar do consumo de alimentos com volume maior e menor densidade energética, ou seja, alimentos com maior teor de água e/ou fibras como por exemplo caldo de legumes, saladas e vegetais antes das refeições, visto que estes alimentos auxiliam na saciação (redução da ingestão calórica na refeição).

Ainda, o aumento do volume de um alimento, sem aumento concomitante da sua densidade energética, pode resultar em prolongamento no intervalo até a próxima refeição (maior saciedade). Pesquisador americano investigou o efeito do aumento do volume de uma bebida láctea, acrescentando ar na bebida, com mesmo valor calórico, sobre o consumo nas refeições subsequentes. Os indivíduos que ingeriram a bebida com volume maior reduziram a ingestão calórica posteriormente.

Outro estudo interessante mostrou que a adição de fibras solúveis* (neste experimento usaram goma guar) no almoço, levando ao aumento do volume do alimento, ocasionou prolongamento do tempo até que os pacientes voltassem a sentir fome, ou seja, comer mais fibras no almoço aumentou a saciedade até a janta.

Dessa forma, estratégias nutricionais que priorizem alimentos com menor densidade energética e maior volume devem ser incentivadas, uma vez que auxiliam no aumento da saciação e da saciedade durante e após a perda de peso!

*Fibras solúveis (exemplos): aveia, psyllium, biomassa de banana verde

Referências

1. Energy density and portion size: their independent and combined effects on energy intake. Physiology & Behavior 2004; 82: 131–138.

2. Reductions in portion size and energy density of foods are additive and lead to sustained decreases in energy intake. Am J Clin Nutr 2006; 83(1):11-7.

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Quinta, 11 Outubro 2018 14:57

A teoria do set-point no controle do peso

O peso corporal é mantido em um nível relativamente estável através do equilíbrio dinâmico entre a ingestão e o gasto calórico.

Em relação à ingestão alimentar, comemos conforme as necessidades metabólicas do organismo (comer homeostático) e por questões emocionais, comportamentais e cognitivas (comer hedônico ou emocional). O comer hedônico refere-se às influências de fatores cognitivos e emocionais relacionados à recompensa com a comida. Nesse sentido, de acordo com o ambiente, o comer hedônico pode exceder o comer homeostático, levando o indivíduo a comer além do estritamente necessário.

A teoria do set-point foi desenvolvida para tentar explicar as mudanças no peso em indivíduos submetidos à mesma ingestão calórica. De acordo com esta teoria, o indivíduo possui mecanismos de adaptação na eficiência energética dos processos metabólicos, tornando-os mais ou menos dispendiosos, conforme necessário, para manter os depósitos de gordura e o peso corporal.

Como exemplo, em um ambiente onde há livre acesso a alimentos palatáveis e densamente energéticos, como os alimentos ultraprocessados, o consumo além das necessidades metabólicas ativará os mecanismos que aumentam o gasto calórico do indivíduo (ajuste do set-point) de forma a manter o seu peso corporal relativamente estável.

Já indivíduos que apresentam falha na ativação em algum destes mecanismos compensatórios ganharão peso mediante a mesma ingestão calórica, estabelecendo assim um novo set-point maior.

Dada a importância do armazenamento de energia para sobrevivência e capacidade reprodutiva para nossos antecessores há milhões de anos em que a comida era altamente escassa, a capacidade para conservar energia na forma de gordura conferiu uma vantagem evolucionária para a sobrevivência.

Nos dias atuais, entretanto, a combinação do fácil acesso a alimentos densamente calóricos e um estilo de vida sedentário tem resultado no ganho progressivo de peso em indivíduos geneticamente predispostos que apresentam falha nos mecanismos de regulação do peso (falha do set-point).



Referências

1. Obesity. N Engl J Med 1997; 337:396-407.

2. Do adaptive changes in metabolic rate favor weight regain in weight-reduced individuals? An examination of the set-point theory. Am J Clin Nutr 2000 Nov;72(5):1088-94.

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Terça, 11 Setembro 2018 14:56

O peso da balança

Acompanho muitos pacientes que desejam emagrecer, mudar de vida em busca de saúde e leveza. Alguns motivados pela saúde, outros pela pressão da estética ou até mesmo por algum evento importante em suas vidas, tais como: casamento, formatura, etc. Mas o que chama a atenção são os fatores motivacionais que impulsionam a tomada de decisão, o que desacomoda e mobiliza o desejo de sair deste lugar, de onde se está.

Independentemente do motivo, compreendo que este caminho começa pela balança. Antes mesmo de tomar a decisão de iniciar o tratamento, seja ele qual for e, não pretendo abordar aqui a eficácia de nenhum método de emagrecimento, o paciente se depara com a balança. É comum, inclusive, ouvirmos frases do tipo, “brigo com a balança deste sempre”, “tenho uma batalha travada com a balança”, “tenho medo de me pesar”. Essas e outras afirmações me fazem acompanhar o sofrimento que é essa relação entre o peso e a balança.

No início do tratamento, a balança serve como norteador para direcionar a conduta médica e nutricional mais apropriada, de acordo com as necessidades de cada um. Serve também para orientação daqueles que nem sabem o excesso de peso que têm. Que há anos já não se pesam, pois no fundo sabem ou imaginam sua condição, mas tudo tem seu tempo de ser encarado. Muitos são os pacientes que recebo e que não fazem ideia do seu peso, pois evitam ou evitavam a balança e a frustração que ela poderia lhe causar.

No entanto, não é a balança a causadora de tudo isso, da frustração, do desgosto, susto ou desânimo. Ela serve para nos confrontar com a realidade da qual não estávamos querendo ou podendo enxergar. O que mesmo aqueles dígitos dizem a seu respeito? O que mesmo eles estão representando? Qual o verdadeiro significado do estado em que me encontro? Encontro consigo mesmo!

Esse é o primeiro norteador. A balança vai proporcionar estabelecer uma meta, programarmos o caminho a seguir e a partir dai ela também servirá para medir nossas conquistas, servirá para avaliação do que está dando certo e do que não está e muitos serão os momentos em que ela traduzirá os resultados alcançados.

Percebo que há muita expectativa posta na balança. Expectativa de que ela recompense com a perda de peso. Recompense todo esforço e sacrifício feito ao deixar de comer e beber, ao mudar hábitos, ao se exercitar. Então quando sobe na balança e vê que eliminou 1, 2 kg ou mais parece que todo esforço compensa. Mas esta relação não vai muito longe. É chegada a hora em, que por vários motivos, a perda de peso não vai ser direta ou imediata. Você começa a perceber que se trata de uma mudança física, mas também psíquica, onde é necessário desenvolver habilidades para lidar com as frustrações, paciência, perseverança e acima de tudo constância. Pois não é a balança que traz a recompensa, mas sim seus hábitos. Os hábitos e o estilo de vida.

E é neste momento que vejo o quanto a balança pode ser um motivador tanto quanto um desmotivador, pois acostumados a não persistir, a desacreditar do resultado diante de tantas tentativas e reganhos de peso, fazem da balança um enorme gerador de angústia. Mais do que perder peso, este processo de tratamento deve abranger e considerar o sujeito como um todo. Com todos os seus “pesos” e que a balança pode ser mais um entre tantos. Se subir na balança é mais fonte de angústia do que de controle algo precisa ser revisto. É claro que precisamos consultar a balança para nos mantermos no controle, já que muitos temos uma distorção em relação a aumentar ou a diminuir os danos.

Utilizando um pouco do sentido da palavra balança, temos um instrumento que serve para pesar, comparar massas e medir forças. O “pesar” por sua vez tem por tradução determinar e medir o peso, assim como outros significados. O “pesar” pode ser interpretado também como algo que influencia decisivamente assim como pode também causar sofrimento e tristeza.

Aqui me detenho no sentido de que pesar-se não é simplesmente saber de um número, mas sim pensar no que ele representa. Do que ele fala?

Muitos são os significados, assim como o papel da balança na vida e no tratamento de cada sujeito. Para alguns, pesar-se diariamente é o que lhes faz manter o foco, o parâmetro das medidas em relação às suas escolhas. Para outros, pesar-se é motivo de angústia, quase uma tortura. Talvez se pesem e fiquem motivados e alegres com o resultado, mas talvez nunca consigam estar satisfeitos com o que conseguem alcançar. Fonte de uma eterna insatisfação. De desmotivação quando não “emagrecem”. Só que se esquecem de que muitas conquistas a balança não é capaz de medir, tais como as mudanças de comportamento.

Por fim, precisamos entender que somos sujeitos individuais, diferentes uns dos outros e temos de respeitar estas diferenças. Compreender a serviço do que estou utilizando a balança: É para me recompensar? Para negociar comigo mesmo? E então poder encontrar um equilíbrio na balança, na vida e no peso.

E para você, qual é o peso da balança?

Fabiana Alves Pereira, Psicóloga e Psicanalista

Especialista em Transtornos Alimentares

CRP/RS 07/20146

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A auto-imagem corporal corresponde à percepção do indivíduo quanto ao tamanho e às suas formas corporais associada aos sentimentos de que essa representação possa ocasionar. De forma sucinta, representa a relação entre o corpo e os processos cognitivos como crenças, valores e atitudes individuais, que podem ser influenciados pela mídia, pais e amigos.

A correta percepção da imagem corporal na adolescência é um tema de suma importância tendo em vista que esta é uma fase de transição, com mudanças corporais constantes, em que os adolescentes se tornam mais vulneráveis às influências externas.

A distorção da auto-imagem nesta fase da vida está associada a um maior risco de distúrbios de humor, como depressão e ansiedade, e transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar.

Conforme alguns estudos, as taxas de insatisfação com a imagem corporal nessa faixa etária alcançam cifras tão altas quanto 70%, sobretudo entre meninas e indivíduos acima do peso. Meninas adolescentes insatisfeitas com seu peso apresentam um risco 4 vezes maior de transtornos alimentares, de acordo com um trabalho americano.

O estudo sobre a auto-imagem corporal publicado recentemente, no qual sou uma das autoras, teve como objetivo avaliar o grau de concordância entre o estado nutricional e a auto-imagem entre adolescentes brasileiros. Foram incluídos jovens entre 12 e 17 anos de idade participando do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (“ERICA”), um estudo nacional que coletou dados de várias cidades brasileiras totalizando 71.740 estudantes.

Os resultados demonstram que 3 a cada 10 adolescentes apresentam distorção entre o peso e a imagem corporal. Ainda, a prevalência de insatisfação com o peso foi de 45%, maior entre as meninas, adolescentes mais velhos, aqueles abaixo ou acima do peso e entre aqueles fisicamente inativos.

Além disso, os adolescentes com distorção da sua auto-imagem e insatisfeitos com o seu peso foram mais propensos a apresentar uma triagem positiva para transtornos mentais. Esses achados destacam a associação entre a insatisfação corporal e o bem-estar psicológico. Nesse sentido, adolescentes insatisfeitos com a imagem corporal relatam mais frequentemente queixas de problemas de saúde psicossocial como distúrbios do sono, ansiedade, estresse, depressão, baixa auto-estima e uma pior qualidade de vida.

Considerando que a percepção incorreta da imagem corporal pode induzir comportamentos não saudáveis ​​entre os adolescentes, tanto no sentido de dificultar o manejo e a manutenção de um peso saudável, quanto no maior risco de transtornos psiquiátricos, a identificação precoce dos fatores associados a esta distorção torna-se fundamental nessa faixa etária. Por isso, adolescentes referindo distorção da imagem corporal merecem uma investigação mais pormenorizada em relação à sua saúde mental.

Por fim, apesar de não se saber qual o grau de insatisfação que deve ser considerado como preocupante na adolescência, profissionais da área da saúde, em especial médicos endocrinologistas e nutricionistas, devem ficar atentos a jovens referindo descontentamento com o seu corpo, especialmente entre aqueles com um estado nutricional adequado. Comparações excessivas com os colegas, comentários pejorativos por familiares e uma pressão apelativa pela mídia por um determinado esteriótipo podem ser os desencadeadores tanto de distorção quanto de insatisfação corporal, com repercussões psicológicas catastróficas.

Referência:

1. Self-perceived body image, dissatisfaction with body weight and nutritional status of Brazilian adolescents: a nationwide study. Moehlecke M, e colaboradores. J Pediatr (Rio J). 2018 Aug 9. pii: S0021-7557(18)30503-5

2. Risk factors for onset of eating disorders: evidence of multiple risk pathways from an 8-year prospective study. Behav Res Ther. 2011;49(10):622-27.

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Mais um estudo publicado recentemente, dessa vez pelo grupo de pesquisadores norueguês, sobre os efeitos do jejum intermitente na perda e manutenção do peso e melhora dos parâmetros metabólicos.

Diferentemente do estudo americano publicado em 2017, este estudo avaliou a perda de peso e os desfechos metabólicos em pacientes de alto risco cardiovascular, além da percepção de fome nos indivíduos submetidos ao jejum intermitente.

O termo “Jejum intermitente” é usado para definir uma série de padrões de alimentação em que pouca ou nenhuma caloria é consumida por períodos de tempo variáveis. Atualmente existem diversos protocolos para a realização de jejum intermitente, sendo um dos mais estudados o protocolo 2:5, ou seja, 2 dias de consumo equivalente a 25% das necessidades energéticas intercalados com 5 dias de alimentação sem restrições.

Neste estudo, foram incluídos 112 participantes com obesidade abdominal, definida por uma circunferência da cintura maior ou igual a 94 cm para homens e 80 cm para mulheres, e mais um dos seguintes componentes (níveis de triglicerídeos ≥150 mg/dL, HDL baixo – menor do que 40 mg/dL para homens e 50 mg/dL para mulheres, pressão arterial sistólica ≥130 mmHg e/ou diastólica ≥85 mmHg e glicemia de jejum ≥100 mg/dL). Não foram incluídos indivíduos com diabetes em uso de insulina ou análogos do GLP1, como a liraglutida, nem pacientes com transtornos alimentares e psiquiátricos em geral.

Estes pacientes foram divididos em 2 grupos: grupo do jejum intermitente e grupo da restrição calórica diária, ambos submetidos a um déficit calórico total similar. O estudo durou 1 ano: os primeiros seis meses corresponderam à fase de perda de peso e os 6 meses posteriores à fase de manutenção.

O grupo randomizado para fazer o jejum intermitente foi aconselhado a consumir 400 kcal (mulheres) a 600 kcal (homens) durante 2 dias por semana, não consecutivos. Já o grupo selecionado para restrição calórica diária reduziu a ingestão alimentar durante os 7 dias da semana.

Tanto a perda de peso quanto a manutenção do novo peso foram semelhantes entre os grupos, assim como os demais parâmetros antropométricos (redução da circunferência da cintura e IMC) e metabólicos (perfil lipídico e glicêmico).

Em relação à sensação de fome, avaliada por meio de uma escala visual aplicada aos pacientes durante a fase de perda e manutenção do peso, os participantes do grupo jejum intermitente referiram mais fome ao longo do estudo.

Além disso, a frequência de efeitos adversos relatados (tonturas, dor de cabeça e náuseas) foi aproximadamente 2 a 3 vezes maior no grupo do jejum intermitente.

Considerando que a perda de peso e a melhora dos fatores de risco cardiometabólicos foram semelhantes entre os grupos e que a incidência de efeitos adversos observados bem como a sensação de fome foi maior no grupo selecionado para o jejum intermitente, permanece a dúvida sobre o quão sustentável é esta opção de tratamento para perda de peso no médio e longo prazo.

Além disso, sabemos que a manutenção do novo peso está diretamente associada à adesão no longo prazo e que, em estudos prévios, a taxa de abandono no grupo submetido ao jejum intermitente foi maior em relação àqueles que realizaram restrição calórica diária.

Por fim, tendo em vista que o transtorno de compulsão alimentar está presente em 20 a 30% da população com excesso de peso e que, muitas vezes este transtorno não é identificado em consulta, não há estudos até o momento avaliando as repercussões do jejum intermitente sobre o controle alimentar neste grupo de pacientes.



Referências

1. Effect of intermittent versus continuous energy restriction on weight loss, maintenance and cardiometabolic risk: a randomized 1-year trial. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2018 Jul;28(7):698-706

2. Effect of Alternate-Day Fasting on Weight Loss, Weight Maintenance, and Cardioprotection Among Metabolically Healthy Obese Adults A Randomized Clinical Trial. JAMA Intern Med 2017;177(7):930-938

3. The effects of intermittent or continuous energy restriction on weight loss and metabolic disease risk markers: a randomised trial in young overweight women. Int J Obes (Lond). 2011; 35(5):714-727

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