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Terça, 21 Maio 2019 10:48

Preferências alimentares

Nascemos com uma predisposição genética a determinados sabores, sobretudo o doce, o que pode ser um fator de risco para o consumo excessivo e desenvolvimento de obesidade em ambientes de fácil acesso a alimentos densamente calóricos e altamente palatáveis, como guloseimas, doces e ultraprocessados em geral.

 

Esta preferência naturalmente herdada por alimentos de sabor doce pode ser interpretada como uma adaptação do organismo a períodos de maior escassez de alimentos ocorrida há milhões de anos para sobrevivência da espécie. Entretanto, nos dias atuais, esse mecanismo adaptativo pode contribuir para uma alimentação pouco saudável e ganho de peso.

 

Felizmente, diversos estudos têm mostrado que o desenvolvimento do nosso paladar é maleável, ou seja, nosso cérebro é capaz de se remodelar de acordo com as experiências vivenciadas, o que possibilita uma constante adaptação e aprendizagem ao longo da vida.

 

Quanto mais precoce for a introdução a alimentos saudáveis, maior a aceitabilidade da criança durante a infância e adolescência, podendo-se também modificar as preferências alimentares de acordo com a exposição repetida a determinados alimentos sob diversas preparações e sob diversos contextos.

 

Em adultos as evidências sobre este tema são menores, mas alguns trabalhos mostram mudanças na plasticidade com maior aceitação de novos alimentos após modificações importantes na rotina alimentar.

 

Portanto, apesar de as nossas preferências geneticamente herdadas por doces e a nossa maior rejeição inicial a sabores azedo (presente em frutas cítricas por exemplo) e amargo (presente em algumas verduras e legumes), o ambiente mostra-se capaz de influenciar e modificar as nossas escolhas. Por isso, o engajamento de toda a família é importante no processo de aquisição de hábitos saudáveis!

 

Referências

1. Development of Learned Flavor Preferences. Dev Psychobiol 48: 380–388, 2006.

2. The importance of exposure for healthy eating in childhood: a review. J Hum Nutr Diet 2007; 20: 294–301

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