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Quarta, 01 Março 2017 14:10

A terapia de reposição hormonal pode levar ao ganho de peso? Destaque

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Define-se menopausa retrospectivamente após um período de 12 meses sem ciclos menstruais, ocorrendo naturalmente com uma média de idade de 51 anos.

Durante o período que antecede a menopausa e também nos anos que a sucedem, muitas mulheres podem apresentar sintomas variados, incluindo fogachos (calorões), secura vaginal, distúrbios de humor e do sono, fadiga e ganho de peso.

A menopausa tende a estar associada a um maior risco de ganho de peso, além da mudança na distribuição da gordura abdominal, em virtude da redução dos níveis de estrogênio circulantes neste período. Além disso, uma redução da taxa metabólica basal (que corresponde às necessidades calóricas diárias) ocorre em paralelo à redução da massa muscular que se torna mais pronunciada após os 50 anos.

Conforme estudos recentes, as mulheres que entram na menopausa tendem a ganhar em média 3 kg de gordura e 6 cm de circunferência abdominal, com uma redução variável da massa muscular. Tais mudanças predispõem ao maior ganho de peso na menopausa.

A terapia de reposição hormonal está indicada atualmente para mulheres abaixo de 60 anos ou que estejam na menopausa há menos de 10 anos e que apresentem sintomas vasomotores significativos (calorões) e que não apresentem contra-indicações ao tratamento.

Preocupações com o ganho de peso com a terapia hormonal é uma razão comum para as mulheres não quererem usá-la. De fato, aproximadamente 20% das mulheres em tratamento com reposição hormonal abandonam o tratamento por atribuírem o seu ganho de peso à terapia hormonal.

Mas afinal, a terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona aumenta o risco de ganho de peso?

Embora a crença popular seja de que a terapia de reposição hormonal cause ganho de peso, as evidências disponíveis até o momento sugerem o contrário.

A terapia de reposição hormonal com estrogênio não evita o ganho de peso nas mulheres pós-menopáusicas, embora possa minimizar a redistribuição de gordura abdominal mencionada anteriormente.

De acordo com um grande estudo realizado em mulheres na menopausa houve uma menor perda de massa magra naquelas que receberam a terapia com estrogênio e progesterona em relação às que não fizeram reposição hormonal. Ainda, as mulheres que receberam tratamento tiveram menor aumento da circunferência abdominal.

Então, ao contrário do que se pensa, a terapia de reposição hormonal com estrogênio e progesterona pode ter algum efeito benéfico sobre a perda de massa muscular e sobre o menor ganho de gordura que ocorre na menopausa.

Seu uso, portanto, não está associado ao ganho de peso. O ganho de peso ocorre pelas alterações fisiológicas próprias da idade somadas à redução dos níveis de estrogênio nesta fase da vida.

O tratamento com reposição hormonal em mulheres na menopausa, quando indicado, não deve ser evitado pelo medo do ganho de peso.

Para minimizar o ganho de peso que comumente ocorre no período do climatério e da menopausa, é importante iniciar ou aumentar a frequência e a intensidade da atividade física (para preservação da massa magra e perda da massa gorda) associado a uma dieta individualizada às necessidades calóricas diárias de cada paciente.

Fontes:

1. Oestrogen and progestogen hormone replacement therapy for peri-menopausal and post-menopausal women: weight and body fat distribution. Cochrane Database Syst Rev. 2000.
2. Effects of estrogen or estrogen/progestin regimens on heart disease risk factors in postmenopausal women. The Postmenopausal Estrogen/Progestin Interventions (PEPI) Trial. The Writing Group for the PEPI Trial. JAMA. 1995;273(3):199-208.
3. Postmenopausal hormone therapy and body composition--a substudy of the estrogen plus progestin trial of the Women's Health Initiative. Am J Clin Nutr. 2005;82(3):651-6.

4. The menopause and obesity. Lovejoy JC . Prim Care. 2003 Jun;30(2):317-25.

 

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Lido 183 vezes Última modificação em Quinta, 25 Julho 2019 11:07

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